História
Flautas ou tambores? Antes da teoria da evolução de Charles Darwin, aceitava-se como resposta a versão oferecida pela mitologia(principalmente a mitologia grega) para o surgimento dos instrumentos. Já era alguma coisa.
Muito embora haja estudos sobre a origem dos instrumentos desde a Idade Média, foi somente depois de Darwin, isto é, a partir do século XIX, que passaram a figurar na literatura da musicologia trabalhos com mais embasamento científico a respeito da préhistória dos instrumentos. Havia divergências quanto à ordem em que teriam surgido os três grupos maiores de instrumentos, quais sejam, os sopros, as percussões e as cordas. Sobretudo com relação aos dois primeiros.
Se havia autores no passado (recente) que acreditavam serem os tambores os primeiros, em geral por considerarem os sons de percussão como os mais primitivos, hoje em dia há os que -- apoiados em dados científicos mais confiáveis -- afirmam que as flautas é que foram as primeiras.
Em trabalhos de escavação arqueológica feitos nos séculos XX e XXI foram encontradas as flautas mais antigas de que se tem notícia. No ano de 2009, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Tubingen, na Alemanha, publicou um trabalho sobre a descoberta de três flautas datadas de 35.000 anos na caverna Hohle Fels localizada no sudoeste da Alemanha. Consta que a mais conservada das três fora construída a partir de um osso (da asa) de abutre. Como não se tem notícia de tambores mais antigos, a pesquisa mostra que os sons eólicos feitos pela mão do homem podem ter surgido primeiro. Parece não haver divergências, contudo, quanto ao surgimento dos instrumentos de corda em uma terceira etapa, isto é, eles teriam surgido depois das flautas e dos tambores. As chamadas liras de Ur, consideradas como os mais antigos instrumentos de cordas, foram construídas na Mesopotâmia antiga há cerca de 4500 anos. Há nessa 'Idade da Corda', em que se incluiam principalmente a harpa e a lira, um fato importante a ser lembrado. Trata-se do seguinte: a antiquíssima arma (de caça, etc.) conhecida por 'arco e flecha' é um ancestral imediato da harpa, dada a equivalência estrutural primitiva que há entre a sua arquitetura e a da harpa. A potência do arco era medida pelos antigos a partir da altura do som produzido pela corda quando dedilhada
Assim como o arco e flecha, há outros utensílios não musicais que contêm cordas distendidas -capazes, portanto, de emitir sons- como é o caso da raquete de tênis. Graças a isto, o tenista consegue avaliar se a potência da raquete está no seu valor habitual. Isto é, a partir da altura do som que se produz com a vibração das cordas (em resultado do choque da raquete com a bola em jogo), ele saberá dizer se o encordoamento encontrase na tensão nominal que ele usa.
Depois, muito depois da harpa e da lira, é que viriam a cítara, o alaúde, seguidos de uma infinidade de outros instrumentos, todos eles descendentes desses ancestrais básicos